O tempo que outrora passava preparando e fumando o ópio, ele agora o empregava nas práticas, para eles estranhas, da nova religião. Dia e noite o recém-convertido se aplicava ao estudo dos "livros dos estrangeiros". Às vezes cantava de uma maneira singular e outras vezes de joelhos e, com os olhos fechados, falava ao "Deus dos estrangeiros", o Deus que ninguém via e que não tinha santuário para localizar-se.
Dia após dia a senhora Hsi notava a grande transformação na vida do marido e começou a abandonar o intenso ódio que sentiu quando ele se converteu. Quando acordava à noite, via-o absorto, lendo o precioso Livro dos livros, ou ajoelhado, suplicando ao Deus invisível, que sentia estar presente. A persistência do homem em reunir todos os membros da família, diariamente, para os cultos estranhos foi tal, que ganhou, também, sua esposa para Cristo.
Para ele o poder de Cristo era igualmente real, e Hsi saía mais que vencedor em todas as dificuldades. Considerava a oração indispensável e, não muito depois de se converter, chegou a reconhecer o valor de jejuar para melhor orar.
Durante algum tempo o inimigo das almas parecia invencível. A senhora Hsi, apesar de todas as orações dos crentes, continuava a definhar, ficando quase sem forças.
Depois de orarem três dias e três noites seguidas, em jejum, Hsi, sentindo-se fraco no físico, mas forte no espírito, pôs as mãos sobre a cabeça da esposa e ordenou, em nome de Jesus, que os espíritos imundos saíssem para nunca mais a atormentarem. A cura da senhora Hsi foi tão notável e completa que houve grande repercussão em toda a cidade.
Em resposta à oração desse humilde crente, o Senhor cooperava com ele e confirmava a Palavra com sinais, como em Samaria, Lida, e outros lugares nos tempos dos apóstolos. E, tal qual os tempos antigos, homens e mulheres, ao verem o poder de Deus, convertiam-se ao Senhor.
A perseguição, entretanto, se tornou mais e mais severa até que, por fim, o povo planejou, ao tempo de uma grande festa pagã, passar corda por cima dos caibros dos templos idólatras e pendurar todos os crentes pelas mãos até que se retratassem e negassem a fé na "religião dos estrangeiros".
Hsi, com o passar do tempo, sentia-se descontente; os crentes não se desenvolviam como ele esperava. As pequenas igrejas, apesar de todos os seus esforços para alimentá-las, não cresciam e, com qualquer perturbação, grande número de crentes se desviava da fé.
Quanto mais o pastor Hsi orava, tanto mais Deus aumentava a obra; e quanto mais crescia a obra, tanto mais ele sentia o anelo de orar. Em vez de ficar escravizado pelas inumeráveis obrigações, deliberadamente dedicava horas, e mesmo dias, frequentemente em jejum, para orar perante o Senhor a fim de saber a sua vontade e receber da sua plenitude.
Durante sua vida terrena, entregou tudo ao Senhor. Para ele, não existia coisa demasiado preciosa que não pudesse usar para o seu Jesus. Não havia labor árduo demais, se não pudesse ganhar uma alma pela qual seu Salvador morrera. Nunca encontrou "cruz" pesada, se pudesse levá-la por amor de Cristo. Jamais julgou o caminho difícil, tratando de seguir as pisadas de seu Mestre.
A obra pioneira que deixou em Chao-ch'eng, Teng-ts'uen, Hoh-chau, Tai-yuan, Ping-yang, e dezenas de outros lugares, é como pujante fortaleza e como resplandecente farol - dissipando as trevas do paganismo na China.
(trecho extraído literalmente do livro "Heróis da fé". Orlando Boyer. Ed: CPAD. 48ª impressão / Janeiro 2013. pgs. 197 a 206)

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