"Na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque vou para meu Pai." (João 14:12)
Whitefield merece o título de "príncipe dos pregadores ao ar livre" porque pregava em média dez vezes por semana, e isso fez durante um período de trinta e quatro anos, em grande parte sob o teto construído por Deus - os céus.
Com a saúde abalada, talvez pelo excesso de estudo, George voltou à casa para recuperá-la. Resolvido a não cair no indiferentismo, inaugurou uma classe bíblica para jovens que, como ele, desejavam orar e crescer na graça de Deus. Visitavam diariamente os doentes e os pobres e, frequentemente, os prisioneiros nas cadeias, para orar com eles e prestar-lhes qualquer serviço manual que pudessem.
Whitefield nunca se esqueceu nem deixou de aplicar a si as seguintes palavras do doutor Delaney: "Desejo, todas as vezes que subir ao púlpito, considerar essa oportunidade como a última que me é dada de pregar, e a última dada ao povo de ouvir."
Quando estudante no colégio de Oxford, seu coração ardia de zelo. Pequenos grupos de alunos se reuniam no seu quarto, diariamente, movidos tais quais os discípulos logo depois do derramamento do Espírito Santo, no Pentecostes. O Espírito continuou a operar poderosamente nele e por ele durante o resto da sua vida, porque nunca abandonou o costume de buscar a presença de Deus. Separava o dia em três partes: oito horas sozinho com Deus e em estudos, oito horas para dormir e fazer as refeições, oito horas para o trabalho entre o povo. De joelhos, lia, e orava sobre a leitura das Escrituras, recebendo luz, vida e poder.
Em Basingstoke foi agredido a pauladas. Em Staffordshire atiraram-lhe torrões de terra. Em Moorfield destruíram a mesa que lhe servia de púlpito e arremessaram contra ele o lixo da feira. Em Evesham, as autoridades, antes de seu sermão, ameaçaram prendê-lo, se pregasse. Em Exeter, enquanto pregava para 10 mil pessoas, foi apedrejado de tal forma que pensou ter chegado para ele a hora.
O segredo de tais frutos na sua pregação era o seu amor para com Deus. Ainda muito novo, passava noites inteiras lendo a Bíblia, que muito amava. Depois de se converter, teve a primeira daquelas experiências de sentir-se arrebatado, ficando a sua alma inteiramente aberta, cheia, purificada, iluminada da glória e levada a sacrificar-se, inteiramente, ao seu Salvador. Desde então nunca mais foi indiferente em servir a Deus, mas regozijava-se no alvo de trabalhar de toda a sua alma, e de todas as suas forças, e de todo o seu entendimento. Só achava interesse nos cultos, tanto é que escreveu para a sua mãe dizendo que nunca mais voltaria ao seu emprego. Consagrou a vida completamente a Cristo.
Outras vezes passei dias e semanas inteiras prostrado em terra, suplicando para ser liberto dos pensamentos diabólicos que me distraíam. Interesse próprio, rebelião, orgulho e inveja me atormentavam, um após outro, até que resolvi vencê-los ou morrer. Lutei até Deus me conceder vitória sobre eles.
Apesar de sua grande obra, não se pode acusar Whitefield de procurar fama ou riquezas terrestres. Sentia fome e sede da simplicidade e sinceridade divinas. Dominava todos os seus interesses e os transformava para a glória do reino do seu Senhor. Não ajuntou ao redor de si os seus convertidos para formar outra denominação, como alguns esperavam. Não, apenas dava todo o seu ser, mas queria "mais línguas, mais corpos, mais almas a usar para o Senhor Jesus".
(trecho extraído literalmente do livro "Heróis da fé". Orlando Boyer. Ed: CPAD. 48ª impressão/Janeiro 2013. pgs. 61 a 70)

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