Charles, quando ainda criança, interessava-se pela leitura de O Peregrino, pela história dos mártires e por diversas obras de teologia. É impossível calcular a influência dessas obras sobre a sua vida.
Aproveitava todas as oportunidades para distribuir folhetos. Também entregava-se de todo o coração a ensinar na Escola Dominical. Com a idade de 16 anos começou a pregar. Acerca desse fato, declarou: "Quantas vezes me foi concedido o privilégio de pregar na cozinha da casa de um agricultor, ou num celeiro!"
De um dia para outro, Spurgeon, o herói do sul de Londres, tornou-se um vulto de projeção mundial. Aceitou convites para pregar em cidades da Inglaterra, Escócia, Irlanda, Gales, Holanda e França. Pregava ao ar livre e nos maiores edifícios, em média oito a doze vezes por semana.
"É maravilhoso como o texto, duro como a pederneira, emite faíscas quando batido com o aço da oração". Quando mais velho, disse: "Orar acerca das Escrituras é como pisar uvas no lagar, trilhar trigo na eira ou extrair ouro do minério".
Acerca da vida familiar, Susana, a esposa de Spurgeon, assim escreveu:
Fazíamos culto doméstico, quer hospedados em um rancho nas serras, quer num suntuoso quarto de hotel na cidade. E a bendita presença de Cristo, que muitos crentes dizem impossível alcançar, era para ele a atmosfera natural; ele vivia e respirava nEle.
Além de pregar constantemente a grandes auditórios e de escrever tantos livros, esforçou-se em vários outros ramos de atividades. Inspirado pelo exemplo de George Muller, fundou e dirigiu o orfanato de Stockwell. Pediam a Deus e recebiam o necessário para levantar prédio após prédio e alimentar centenas de crianças desamparadas.
"O príncipe dos pregadores" era, antes de tudo, "o príncipe de joelhos".
Quando alguém perguntava a Spurgeon a explicação do poder na sua pregação, "o príncipe de joelhos" apontava para a loja que ficava sob o salão do Metropolitan Tabernacle e dizia:
Na sala que está embaixo, há trezentos crentes que sabem orar. Todas as vezes que prego eles se reúnem ali para sustentar-me as mãos, orando e suplicando ininterruptamente. Na sala que está sob os nosso pés é que se encontra a explicação do mistério dessas bênçãos.
Ainda sobre a oração, sua esposa deu este testemunho:
Ele dava muita importância à meia hora de oração que passava com Deus antes de começar o culto.
A vida de Spurgeon não era vida egoísta e de interesse próprio. Juntamente com sua esposa, fez os maiores sacrifícios para colocar livros espirituais nas mãos de um grande número de pregadores pobres, e ambos contribuíam constantemente para o sustento das viúvas e órfãos. Recebiam grandes somas de dinheiro, mas davam tudo para o progresso da obra de Deus.
Cristo era o segredo do seu poder. Cristo era o centro de tudo para ele; sempre e unicamente Cristo.
(trecho extraído literalmente do livro "Heróis da fé". Orlando Boyer. Ed: CPAD. 48ª impressão / Janeiro 2013. pgs. 187 a 195)

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