Os pais de David criaram seus filhos no temor do Senhor. O lar era sempre alegre e servia como notável modelo de todas as virtudes domésticas. Não se perdia uma hora durante os sete dias da semana, e o domingo era esperado e honrado como o dia de descanso. Com a idade de 9 anos, David ganhou um Novo Testamento, prêmio oferecido ao repetir de cor o capítulo mais comprido da Bíblia, o salmo 119.
Para aprender a língua e os costumes do povo, nosso pioneiro passava o tempo viajando e vivendo entre os indígenas. Ele assentava-se com os africanos ao redor do fogo, ouvindo as lendas dos seus heróis. Livingstone, por sua vez, contava-lhes as preciosas e verdadeiras histórias de Belém, da Galiléia e da cruz.
Não parou com os estudos enquanto viajava, fazendo mapas dos rios e serras do território percorrido.
Depois de Livingstone se casar, a Escola Dominical em Mabotsa transformou-se em escola diária e tinha como professora a esposa do missionário. Schele, o chefe da tribo, tornou-se grande estudante da Bíblia, mas queria "converter" todo o seu povo à força de litupa, isto é, chicote de couro de rinoceronte. Era costume de Livingstone começar o dia com culto doméstico e não é de admirar que o chefe o adotasse também.
O guia do grupo, Romotobi, conhecia o segredo de subsistir no deserto, cavando com as mãos e chupando a água debaixo da areia por meio de um canudo.
Livingstone ficou convicto de que o interior da África não era um grande deserto como o mundo de então supunha, e o seu coração ardia com o desejo de achar uma via fluvial. Assim, outros missionários poderiam ir para o interior do continente com a mensagem de Cristo.
Foi em junho de 1851 que descobriu o maior rio da África Oriental, o Zambeze, rio do qual o mundo de então nunca ouvira falar.
Livingstone, convicto de que era a vontade de Deus que saísse para estabelecer outro centro de evangelização, e com indômita fé de que o Senhor supriria todo o necessário para cumprir a sua vontade, avançava sem vacilar.
Ó Jesus, rogo que me enchas agora com o teu amor e me aceites e me uses um pouco para a tua glória. Até agora não fiz nada para ti, mas quero fazer algo. Oh! Eu te imploro que me aceites e me uses e que seja tua toda a glória. Escreveu mais ainda: "Não valeria coisa alguma o que possuo ou o que possuirei, a não ser em relação ao reino de Cristo. Se alguma coisa que tenho pode servir para o teu reino, dar-lha-ei a Ele, a quem devo tudo neste mundo e durante a eternidade."
Nas memórias que escrevia diariamente, nota-se como admirava as lindas paisagens de um continente que o mundo julgava ser um vaso deserto.
Suas cartas revelam a sua angústia de espírito ao ver os horrores do povo africano massacrado e arrebatado dos seus lares, conduzido como gado para ser vendido no mercado.
Por fim, após uma ausência de dezessete anos da pátria, regressou à Inglaterra. Na Inglaterra, foi aclamado e honrado como heróico descobridor e grande benfeitor da humanidade.
Uma das muitas coisas que levou a efeito, enquanto na Inglaterra, foi a de escrever seu livro. Viagens Missionárias alcançou enorme circulação e produziu mais interesse na questão africana do que qualquer movimento anterior.
Com a idade de 46 anos, Livingstone, acompanhado de sua esposa e filho mais novo, Oswald, embarcou novamente para a África.
Em 1862 a esposa reuniu-se a ele novamente e acompanhava-o nas viagens, mas três meses depois faleceu, vítima da febre.
Chorei-a porque merece as minhas lágrimas. Amei-a ao nos casarmos, e quanto mais tempo vivíamos juntos, tanto mais a amava. Que Deus tenha piedade dos filhos...
Os crentes e amigos na Inglaterra, animados pela visão de Livingstone, começaram a orar e enviar-lhe dinheiro para continuar sua obra no continente negro.
Na expedição que iniciou em Zanzibar, descobriu os lagos Tanganyka (1867), Moero (1867) e Bangueolo (1868). A oração e a Palavra de Deus foram o seu sustento espiritual durante esses anos de provações, que sofria por parte dos negociantes de escravos.
"O mundo acha que busco fama, porém eu tenho uma regra, isto é, não leio coisa alguma sobre os elogios que me fazem".
Livingstone podia voltar e descansar entre amigos, com todo o conforto, mas preferiu ficar e realizar seu anelo de abrir o continente africano ao Evangelho.
A 1º de maio de 1873, fiel Susi achou seu bondoso mestre de joelhos, ao lado da cama, morto. Orou enquanto viveu e partiu deste mundo orando!
Os dois fieis companheiros, Susi e Chuman, enterraram o coração de Livingstone debaixo de uma árvore em Chitambo, secaram e embalsamaram o corpo e o levaram até a costa.
O corpo, depois de chegar em Zanzibar, foi transportado para a Inglaterra, onde foi sepultado na abadia de Westminster, entre os monumentos dos reis e heróis daquela nação.
Todas as viagens que realizou foram viagens missionárias.
Gravadas no seu túmulo podem ser lidas estas palavras:
O coração de Livingstone jaz na África, seu corpo descansa na Inglaterra, mas sua influência continua.
(trecho extraído literalmente do livro "Heróis da fé". Orlando Boyer. Ed: CPAD. 48ª impressão / Janeiro 2013. pgs. 135 a 149)

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