FRASE DA SEMANA

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quarta-feira, 13 de março de 2013

A diminuição no uso das burkas


 



Fawad Zawiri.

Cabul, 13 mar (EFE).- A burka, que aos olhos ocidentais representa um símbolo da repressão da mulher no Afeganistão, começou a abrir passagem para roupas femininas menos opressivas nas ruas de Cabul, o que é uma boa notícia para as mulheres da capital afegã, mas ruim para os vendedores da vestimenta imposta pelos talibãs.

A queda nas vendas, assim como a aparição de burkas importadas da China, causou o fechamento de muitas lojas que vendiam a famosa peça em Cabul ou lhes obrigou a vender outros tipos de mercadorias, relataram à Agência Efe os comerciantes locais.

'As vendas caíram muito em 2011, enquanto, no último ano, eu fui obrigado a comercializar outros produtos, como mochilas escolares para crianças', declarou Mustafá, que, com 29 anos, é o gerente de uma loja no popular bazar de Mandawi.

Mustafá também ressaltou o impacto que as importações de burkas procedentes da China, que possuem preços até 50% mais baixos do que as afegãs, na manufatura local.

'Embora a qualidade das burkas chinesas não seja muito boa, muita gente acaba comprando porque elas são mais baratas, o que prejudica e muito os produtores locais', comentou o comerciante.

De acordo com os vendedores do Afeganistão, as vendas da burka também estão diminuindo devido a certo ganho de liberdade na forma de vestir na capital do país asiático.

'Após o colapso dos talibãs, seu uso passou a ser quase opcional, sendo que só as mulheres mais velhas costumam manter essa tradição', afirmou à Efe Toryalai Samadi, dono de loja que durante o regime fundamentalista chegou a vender 500 burkas por dia.

Na atualidade, no entanto, Samadi ressaltou que vende entre cinco e dez. 'Na época dos talibãs não se via uma mulher sem burka pelas ruas', garantiu o comerciante, que também lembra que chegou a presenciar 'chicotadas em mulheres em público por trazer as panturrilhas à mostra'.

De acordo com alguns observadores, a queda das vendas de burkas também pode ser justificada pelo fato de que muitas mulheres passaram frequentar a universidade e o trabalho em instituições públicas somente cobertas por um hiyab (véu islâmico), algo que seria totalmente impensável há uma década.

Ao contrário da burka, que cobre da cabeça aos pés, o hiyab só cobre o cabelo das mulheres.

'A burka, por si só, é muito deprimente. Com o calor era muito desconfortável', disse à Efe Maryam Noori, uma mulher de 40 anos que deixou de usar a vestimenta há algum tempo e que aponta que 'se sente muito mais feliz usando um hiyab'.

Após assumir o controle de Cabul em 1996 - somente dois anos após sua fundação -, o movimento talibã impôs uma radical interpretação do islã no país, baseada na 'sharia' (lei islâmica) e no código tribal dos pashtuns, etnia à qual pertencem.

Essa dura interpretação do islã fez com que os talibãs proibissem a mulher de trabalhar, além de tornar o uso da burka obrigatório nas ruas e proibir o uso de saltos, considerando que o mesmo era usado apenas para atrair os homens.

Apesar da relativa liberalização da roupas femininas na capital afegã, a maioria das mulheres continua sendo obrigada a usar a burka devido à grande pressão familiar e social.

Esse é o caso de Najia, que confessa que não gosta de usar a peça porque 'é muito quente no verão e também faz cair seus cabelos'. No entanto, ela admite que continua usando a burka porque, 'embora não seja obrigatório, sua família a obriga a usar'. EFE

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